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INTRODUÇÃO

Este projecto tem uma finalidade muito própria. A intenção é um dos critérios que deve acompanhar o designer no seu processo criativo: este, além da interiorização do conceito básico e elementar do design, forma adequada à função, deve ter em consideração contribuir para o melhoramento da a qualidade de vida do indivíduo, trabalhando no "interface" produto/utilizador de forma a que o objecto sirva realmente a sua "função", seja um "objecto ao serviço do utilizador".

Pretende-se que a indústria e a sociedade vejam neste projecto um contributo para melhorar a satisfação e o bem-estar de um grupo de indivíduos que, pelas suas características de visão, se encontram privados de realizar com independência, segurança e tranquilidade todo e qualquer acto onde a cor seja factor determinante.

A aplicação do sistema ColorAdd®:

ColorAdd® é transversal a todos os quadrantes da sociedade global, independentemente da sua localização geográfica, cultura, língua, religião, bem como às diferentes vertentes sócio-económicas.


Oferecer aos daltónicos independência aquisitiva, uma mais fácil integração social em situações que a opção e escolha da cor é relevante e a minimização do sentimento de perda gerada pela deficiência, com o consequente aumento de bem-estar e autoconfiança.
O projecto apresenta uma solução sustentada, de implementar um código universal, que se julga ser de um contributo inquestionável para a inclusão.

Miguel Neiva, designer



"Não mata, mas mói. A incapacidade para distinguir as cores parece, para quem não a tem, um problema menor. E, no entanto, impede um décimo da população mundial de ser autónoma. O designer Miguel Neiva descobriu a luz para os daltónicos.

Cenário individual: como escolher uma peça de roupa em detrimento de outra sem distinguir as cores? O que responder ao filho que pede o lápis verde para pintar a árvore? Cenário social: como interpretar o mapa do metro se as linhas são representadas por cores? Como respeitar as bandeiras de perigo na praia? Cenário profissional: como cumprir uma vocação relacionada com a indústria gráfica, química, da moda ou da decoração, se todas estão ancoradas no domínio da cor?

Nos dois primeiros cenários, haverá a possibilidade de pedir ajuda a terceiros, ainda que isso crie uma dependência pouco confortável; para o terceiro não há solução. Os estudos estimam que 10% da população mundial sofra de daltonismo. Apesar da limitação que a designada "cegueira das cores" implica para os indivíduos, o daltonismo tem sido ignorado.

"Não é visto como um grande problema. E, se calhar, não é. Mas não é preciso ser um grande problema para ser resolvido", defende Miguel Neiva, mestre em Design e Marketing, cuja tese de mestrado, defendida há dois meses, na Universidade do Minho, versou sobre a aplicação de uma solução nunca até agora pensada. "Poderá não ser um problema", insiste, "mas ouvir alguém dizer que tem um carro azul-banana projecta inevitavelmente uma imagem que vai implicar juízos de valor pouco favoráveis. O daltónico sabe-o e sofre em silêncio".

Por isso, o designer do Porto desenvolveu um código gráfico monocromático que, a ser aplicado, prestará "um serviço público a uma pequena grande minoria". (…). "O código representa a autonomia dos daltónicos"."

In Jornal de Noticias, 20.12.2008